SE SOMOS ÚNICOS, POR QUE É TÃO DIFÍCIL SERMOS NÓS MESMOS?

O que me leva para esta nova pergunta surge de um estudo que responde uma outra questão: — quantos humanos já passaram por este planeta?

O total aproximado encontrado foi em torno de cento e seis bilhões, setecentos e dezesseis milhões, trezentos e sessenta e sete mil, seiscentas e sessenta nove pessoas (segundo o cálculo de Carl Haub, pesquisador do instituto americano Population Reference Bureau) e o que é mais interessante, geneticamente nunca fomos iguais.

Jamais uma sequência genética se repetiu. E continuamos únicos neste momento.

Como estamos vivendo esta unicidade? Como condição, como experiência, como?

Somos estimulados desde cedo para desistirmos de ser para “garantirmos” o ter.

Ter uma profissão, uma casa, um carro e até uma família, tudo que nos “garanta um futuro”.

Como ser espontâneos e autênticos em um mundo que educa para sermos todos iguais?

ACENDA A LUZ E DEIXE DE SER FELIZ

Sem tudo que desvia, mestres sem atenção, alunos sem perguntas e gurus inacessíveis.

Líderes enclausurados em fórmulas de sucesso pessoal tentando nos convencer que existe a fórmula única.

Não existe.

Cada um tem a sua forma em seu processo de aprendizagem único e mutável, aprendemos todos.

Somos iguais em nossas biologias moleculares e totalmente randômicos em nossos processos.

Por isso a importância de mantermos um foco e uma divisão do tempo que nos favoreça “sermos o tempo”, exatamente naquele ponto que nos retorna em realizações.

Para não sermos rasos e sermos únicos é preciso acordar para a realidade que muitos de nós ficamos na superfície de barcos que nos levam para ilhas que nunca foram a nossa praia.

“Mergulhando-nos” deixamos o barco e afundamos na alma. E lá do fundo trazemos à tona o nosso EU MELHOR.

Quando compreendemos que: — Olhar para dentro é empreender a viagem mais longa de todas, porém, a mais próxima.

É compreender também que a felicidade é passageira e tentar perpetuá-la é o não querer sair da zona de conforto.

Zona de conforto é felicidade, sair dela é a procura do sábio.

Por isso, às vezes, é tão difícil sermos nós mesmos.

O ego quer permanecer único dentro do conforto da felicidade e a alma anseia a sabedoria do aprender perpétuo.

O que fazer?

Não sei.

Sei que o que escrevo e faço como um registro do desenvolvimento de minha própria humanidade e quando compartilho busco mais aprendizado.

Percebi que devemos evitar reprimir criatividades espontâneas para não criarmos uma rebeldia com “causa” e estimular a depressão do não ser.

Precisamos estimular nossas criatividades ímpares para vivermos mais gregariamente, em pares.

Adensá-las mais em atividades lúdicas e menos em trabalhos repetitivos. Vamos brincar mais com nossas crianças, e se for seus filhos, melhor ainda, vamos dançar sem sermos bailarinos, fazer leituras e até mesmo escrever poemas sem sermos um poeta, pintar quadros sem sermos pintores e tocar um instrumento como se fossemos músicos.

Vale tudo e vale muito para nos encontrarmos, e caso esteja sem inspiração para fazer um reencontro consigo mesmo e todas as oportunidades que sua dedicação almeja, deixo esse pensamento do grande Pintor cubista Pablo Ruiz Picasso:

“A inspiração existe, mas tem que te encontrar trabalhando.”

Ou na paráfrase anônima:

“A oportunidade precisa te encontrar trabalhando”.

Trabalhar o ser, sendo. E a oportunidade chega, chegando.

Sei que também sou uma soma de tudo e de todos, a união das fragmentações. Uma síntese que não precisa se opor à análise.

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